EUA e China ja tem “acordo” para venda do TikTok

Na terça-feira, 16 de setembro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu governo e a China chegaram a um acordo preliminar que repercute fortemente no cenário global de tecnologia e segurança: o controle da operação do TikTok nos EUA será transferido para empresas norte-americanas, com a empresa chinesa ByteDance mantendo uma participação minoritária no negócio.

Os termos do acordo

Segundo as informações divulgadas:

  • A nova entidade americana ficaria com aproximadamente 80% de participação no controle do TikTok nos EUA.

  • A ByteDance, atual detentora total da plataforma, manteria cerca de 19,9% das ações da nova operação estadunidense.

  • Empresas como Oracle, Silver Lake e Andreessen Horowitz (“a16z”) estão entre os investidores americanos que compõem o consórcio que tomará a frente deste novo controle.

  • Também consta que a diretoria da nova empresa terá maioria de membros americanos, inclusive com um membro designado pelo governo dos EUA para assegurar supervisão e conformidade.

Por que isso está acontecendo

O movimento ocorre em meio a pressões políticas e regulatórias que acusam o TikTok de representar risco à segurança nacional, pela possibilidade de que dados de usuários nos EUA sejam acessados ou utilizados por autoridades chinesas. Essa preocupação já vinha sendo debatida há anos, primeiro no governo Trump, depois mantida sob a administração de Joe Biden, e agora intensificada de novo com o retorno de Trump à presidência.

Uma lei aprovada em 2024 exigia que o TikTok se separasse de sua propriedade chinesa se quisesse continuar operando livremente nos EUA.

Também foi prorrogado o prazo para cumprimento dessa exigência (venda ou reestruturação) diversas vezes.

Impactos potenciais

  1. Operação técnica separada
    A plataforma poderá operar com sistemas de dados, algoritmos e infraestrutura nos EUA independentes da infraestrutura global do TikTok ligado à China. Isso serve para atender às exigências de segurança e regulação.

  2. Mudança para os usuários
    Usuários americanos podem ser orientados ou obrigados a migrar para uma nova versão ou aplicativo separado criado especialmente para o mercado dos EUA. Os dados dos usuários nos Estados Unidos deverão ficar sob controle de instalações localizadas em solo americano, como no Texas, administradas por empresas como a Oracle.

  3. Política e diplomacia
    O acordo reflete uma crescente tensão entre Estados Unidos e China quanto à tecnologia, privacidade de dados, soberania digital e segurança nacional. Ele também mostra como as leis e regulações nacionais estão começando a atingir plataformas transnacionais de redes sociais de maneira mais agressiva.

Questões em aberto

Embora os contornos gerais do acordo já sejam conhecidos, ainda restam muitos detalhes a confirmar:

  • O valor exato que será pago ou a avaliação da nova operação do TikTok nos EUA não foram divulgados.

  • Como será formalizada a supervisão do governo americano e quem exatamente serão os membros do conselho.

  • Se e como o governo chinês aceitará formalmente os termos, considerando que o controle acionário majoritário sairá da ByteDance, empresa chinesa.

  • Possíveis repercussões legais, inclusive de tratados internacionais ou normas de investimento estrangeiro.

O que isso significa em termos maiores

Este movimento não é só sobre uma empresa ou um aplicativo: ele representa:

  • Um fortalecimento das exigências de soberania de dados (data sovereignty), ou seja, do entendimento de que dados de cidadãos de um país devem estar sob jurisdição e proteção daquele país.

  • Um exemplo de como preocupações com segurança nacional já não são mais confinadas ao setor militar, mas se expandem para plataformas de redes sociais, algoritmos, inteligência artificial, e infraestruturas digitais em geral.

  • Um possível modelo a ser seguido por outros países que exigem controle local sobre empresas de tecnologia estrangeira.

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